quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Emmanuel Macron: O maquiavélico que passou a vida a desafiar a sorte

Do casamento à entrada na política, o percurso de Macron é feito de decisões surpreendentes, mas que acabaram por lhe dar razão. Há um ano, não passava de uma promessa.

  EPA

A vida de Emmanuel Macron é feita de decisões que, no momento em que foram tomadas, terão causado perplexidade entre quem o rodeava, tanto a nível pessoal como profissional. O mínimo que se pode dizer do candidato que as sondagens apontam como favorito a vencer as eleições presidenciais deste domingo é que é audaz – e é sabido quem é que os protege.

Nasceu um ano depois da morte da primeira filha dos pais, na sequência de complicações no parto. Os pais viram no seu nascimento um milagre, e por isso puseram-lhe o nome de Emmanuel, “filho de Deus”, revela uma biografia recente.
Aos 16 anos, Macron foi enviado de Amiens para Paris para concluir o ensino secundário. Segundo alguma imprensa, os pais queriam afastar o jovem da professora de Teatro, Brigitte Trogneaux, com mais 24 anos do que ele e por quem se tinha apaixonado, e esperavam que tudo não passasse de um romance passageiro. Não era. Os dois são hoje casados e não têm filhos em comum. Macron apresenta-se como um “orgulhoso” avô de 39 anos dos netos da mulher.
As relações pessoais do candidato foram postas em evidência numa biografia recente escrita pela jornalista do Le Figaro Anne Fulda. Macron é apresentado como um homem com poucos amigos, maquiavélico e obstinado, e com uma auto-confiança inabalável nas suas capacidades. Os pais, citados pela jornalista, dizem ter pouco contacto com o filho, que parece apenas confiar na mulher. Brigitte deixou de ser professora em 2015 para se dedicar a apoiar a carreira do marido, que parece ter sido conduzida metodicamente até este preciso momento.
Macron optou por um ramo de estudos pouco usual: a Filosofia. Terminou o curso com uma tese sobre Maquiavel e chegou a ser assistente de Paul Ricoeur. Quem conhece Macron diz que a filosofia é a sua grande paixão. “Ele entrou na política através da filosofia”, dizia há um ano o então director da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, que conhece Macron há mais de uma década. É possível encontrar nele ainda hoje alguns tiques de professor, como no debate contra Marine Le Pen em que foram várias as ocasiões em que adoptou um tom pedagógico que parece ter desconcertado a sua rival.
Depois da licenciatura, ingressou na École Nationale d’Administration (ENA), em Paris, instituição de passagem obrigatória para quem tenha a mínima ambição de sucesso na política francesa. Mas a política teve de esperar mais alguns anos. O destino seguinte foi o banco de investimento Rotschild – símbolo maior do capitalismo e que tem sido uma das armas de arremesso favoritas de Le Pen. Foi lá que liderou a aquisição de uma filial da farmacêutica Pfizer pela Nestlé, um mega-negócio de nove mil milhões de euros.
Em 2012, ajuda a elaborar o programa que leva François Hollande ao Palácio do Eliseu e torna-se no seu principal conselheiro económico. Sobe a ministro da Economia durante o Verão de 2014, num momento de desespero do Governo liderado por Manuel Valls, a braços com a pressão para aplicar reformas económicas profundas e a oposição da ala esquerda do PS. Macron torna-se o rosto das políticas impopulares do Executivo, incluindo de um pacote legislativo que é baptizado pela imprensa com o seu nome e que toca em temas sagrados para a esquerda francesa – como, por exemplo, a possibilidade de todas as lojas poderem estar abertas aos domingos.
É ainda durante o consulado no Governo de Valls que Macron cria o En Marche!, o seu movimento político “nem de esquerda, nem de direita”, que aparece como um “ovni” na paisagem política francesa. Ninguém sabe como o definir, nem para onde vai. Em Abril do ano passado, um perfil publicado pelo Politico tecia elogios ao ainda ministro da Economia e previa que a “grande data para acompanhar” a carreira de Macron seria 2022. Para 2017, continuava o artigo, o En Marche! teria de se consolidar através de “apoios a candidatos às eleições legislativas”. Aos 39 anos, está muito perto de se tornar no mais jovem chefe de Estado francês desde Napoleão


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

MACRON: ESTA VIAGEM PODERÁ FUNDAR UMA NOVA ORDEM MUNDIAL

Macron empreendeu uma ofensiva de charme no país
dos guerreiros de terracota

Líder gaulês propõe liderança global franco-chinesa perante o vazio americano




Muito ativo na cena internacional, o Presidente Emmanuel Macron falou nos primeiros dias de janeiro de 2018 ao telefone com o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as relações do Ocidente com o Irão e também sobre a Coreia do Norte, no seguimento da visita de três dias que o chefe de Estado francês fez, esta semana, à China.
Em ambos os casos, foi o dossiê nuclear que esteve no centro da conversa. Sobre o Irã, o Palácio do Eliseu informou que Macron defendeu a aplicação “estrita” do acordo nuclear assinado em 2015 e o prosseguimento de um diálogo “reforçado” com Teerã sobre o seu programa balístico e a sua política no Médio Oriente. No que respeita à Coreia do Norte, realçou o sinal “positivo” dos recentes contactos deste país com a Coreia do Sul e defendeu uma solução política que, segundo ele, permita avançar no caminho da desnuclearização da península coreana.
No decorrer da viagem de Macron à China, a questão coreana foi relegada, em público, para o segundo plano. A assinatura de avultados contratos comerciais bilaterais e o desejo de Paris de instaurar uma “parceria estratégica equilibrada” com Pequim atraíram todas as atenções. Ainda assim, Macron e o Presidente chinês, Xi Jinping, confirmaram que o programa nuclear norte-coreano foi discutido. O dirigente francês disse, designadamente, de forma algo vaga, que a França apoia a China “no seu esforço” de aplicar sanções contra a Coreia do Norte e realçou que Pequim tem, neste aspeto, um papel fundamental por ser o maior parceiro internacional de Pyongyang.
Macron realçou também, na capital chinesa, que nota sinais positivos depois do anúncio de que a Coreia do Norte participará nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pyeongchang (Coreia do Sul), entre 9 e 25 de fevereiro deste ano.
Durante os três dias da visita, durante os quais proferiu cinco discursos, por vezes em tom marcadamente empolado, o Presidente francês não abordou qualquer tema que pudesse prejudicar os seus objetivos: vender produtos franceses e lançar as bases de um arrojado plano de liderança mundial franco-chinês, que defendeu sem pestanejar. Numa das suas etapas no imenso país asiático, chegou a comentar, com o ar mais sério do mundo: “Esta viagem poderá ser fundadora de uma nova ordem mundial”.
Num dos seus longos discursos, o dirigente gaulês acrescentou: “Nós [a França e a China] somos a memória do mundo, cabe-nos decidir sermos o futuro (…), chegou o tempo em que a França e a China podem pensar em sonhar em conjunto”.

NÃO SE FALOU DE DIREITOS HUMANOS

Macron não pronunciou qualquer apreciação sobre o respeito pelos direitos humanos no país de Mao Tsé-Tung. Sobre este tema comentou, depois de ser interrogado por jornalistas: “Poderia dar-me prazer a mim próprio dando lições à China. Já se fez isso no passado, sem nenhum resultado”.
Para Macron, a França e a China não são países vulgares: “Somos duas civilizações, dois povos que, desde há séculos, põem em andamento, em todos os domínios, uma certa conceção do ser humano”. Segundo o chefe de Estado francês, o que interessa desenvolver é o que chamou o “diálogo íntimo” entre as duas nações. A seu ver, manifestar indignação sobre os direitos humanos em Pequim seria “ignorar as distâncias culturais e as escolhas profundas de sociedade” dos dois países.

CONTRATOS DE DEZENAS 
DE MILHARES DE MILHÕES

Sem se desviar um milímetro das intenções com que partiu de Paris, a 8 de janeiro, Macron não se cansou de sublinhar a sua admiração pela “China milenária”. Acompanhado por 50 grandes empresários, entre eles os patrões das empresas Areva, Airbus, Safran e EDF, pretendia vender fábricas de tratamento de resíduos nucleares, aviões e outros produtos. Meia centena de contratos, no valor global de dezenas de milhares de milhões de euros, foi assinada no decorrer da visita.

Ficou-se a saber, também, que o reator nuclear EPR, da nova geração, construído pela EDF no sul da China, deverá começar a funcionar dentro de seis meses. Será o primeiro EPR a ficar operacional no mundo, mesmo antes dos que já estavam previstos para a França e a Finlândia, cuja construção está atrasada. Pequim decidiu também pôr fim, definitivamente, ao embargo à importação de carne de vaca francesa, que estava em vigor desde 2001 devido à crise das “vacas loucas”.
Emmanuel Macron afirmou que as relações comerciais vão ser aprofundadas nos próximos anos, no quadro da “parceria estratégica”. Voluntarioso, garantiu que as relações de Paris com Pequim têm bases sólidas. “É preciso estruturar as relações (…), estruturar um acesso mais forte ao mercado chinês, permitir os investimentos chineses em França e abrir o jogo de maneira recíproca”, explicou.
A visita foi marcada por símbolos fortes e mesmo por alguns shows que franceses e chineses apreciaram. Macron ofereceu aos seus anfitriões um cavalo da Guarda Republicana, desenvolvendo desta forma o que se poderia chamar a “diplomacia animal”, que foi no passado inventada pela China através da oferta de pandas a alguns países amigos.
A visita correu bem e o regime chinês vai mesmo abrir as suas portas à cultura francesa, nomeadamente através do lançamento, em Xangai, nos próximos meses, do projeto de um “Centro Pompidou provisório”, que será uma filial da grande instituição parisiense, naquela cidade chinesa, por um período experimental de cinco anos.
Na China, Macron também se apresentou como líder europeu, mas reconheceu aos jornalistas que “não tinha mandato” para falar em nome da União Europeia. Assegurou, porém, que falou sobre a viagem com a chanceler alemã, Angela Merkel.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Perigo na América do Sul: Venezuela

Irã, Rússia e o papel central da China na crise da Venezuela
Antes de qualquer discussão sobre o que fazer sobre a Venezuela, é necessário chegar a um consenso sobre o que levou a essa crise. O papel do Irã é fundamental em tal conversa.
Como no conflito da Síria, o principal papel do Irã é preparar o campo de batalha venezuelano através de uma série de operações em guerra irregular, usando atores e substitutos não estatais para ganhar influência sobre a população.
Fortes evidências sugerem que a Venezuela usou a sua agência de imigração para fornecer identidades e documentos venezuelanos para várias centenas, senão milhares, de Oriente Médio.Sem medidas adequadas de controle e verificação , e um elevado grau de apoio à contra-espionagem ,os nossos aliados regionais não saberão se os refugiados venezuelanos espalhados pelas fronteiras são refugiados legítimos ou membros de uma rede clandestina transregional entre a América Latina e o Oriente Médio.
Qualquer intervenção na Venezuela – militar, humanitária ou de outra forma – não funcionará a menos que vise eliminar as influências externas, especialmente a do Irã, da Rússia e da China, que transformaram a Venezuela na Síria do Hemisfério Ocidental.
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O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, completou, pela maioria dos relatos , uma visita bem sucedida à América Latina. Ele começou sua turnê de cinco países invocando a Doutrina de Monroe e sugerindo que militares venezuelanos poderiam administrar uma “transição pacífica” do líder autoritário Nicolás Maduro. Isso lembrou vários observadores regionais da sugestão do presidente Trump no ano passado de uma possível ” opção militar ” para a Venezuela, insinuando possíveis intervenções americanas ou multilaterais para impedir o colapso do país.
Uma ação armada ou intervenção militar na Venezuela por qualquer país do Hemisfério Ocidental, incluindo as próprias forças armadas da Venezuela , deve levar em conta o papel do Irã, da Rússia e da China na crise. Rússia e China foram mencionadas de forma proeminente por Tillerson durante sua visita à região; O Irã, no entanto, estava notavelmente ausente de suas observações.
Antes de qualquer discussão sobre o que fazer sobre a Venezuela, um consenso sobre o que levou a esta crise precisa ser alcançado. O papel do Irã é crítico em tal conversa.
A maioria dos analistas regionais provavelmente concordará que a Venezuela se tornou um país ocupado por cubanos . Com mais de 30.000 cubanos incorporados na Venezuela, muitos dos quais fazem parte do aparato de inteligência e segurança, é evidente que os irmãos Castro tiveram um papel fundamental no colapso do país. A narrativa de Cuba, no entanto, perde dois pontos-chave. Em primeiro lugar, não consegue identificar precisamente o papel de Cuba na Venezuela, e em segundo lugar, ignora a presença e a influência de outros atores extra-regionais importantes.
Destes, a Rússia e a China são talvez as duas mais visíveis. Como na Síria, e historicamente na América Central, a Rússia é o principal fornecedor de ajuda militar letal, juntamente com o apoio financeiro e técnico às forças armadas venezuelanas. Com mais de US $ 11 bilhões em bens militares graças às vendas de armas russas, a Venezuela representa 75% das vendas militares estrangeiras da Rússia na região. Além disso, a empresa de energia estatal russa, Rosneft, forneceu à Venezuela uma estimativa de US $ 17 bilhões em financiamento desde 2006.Moscou tem alavancado seus negócios colaterais para adquirir participações expandidas nos campos petrolíferos da Venezuela, nomeadamente o cinturão de petróleo pesado do Orinoco, que dá à Rússia mais controle dos ativos de energia estratégica da Venezuela.
A Rússia não está sozinha em alavancar dívidas por maior controle de ativos estratégicos na Venezuela. De acordo com o Instituto Internacional de Finanças, a China detém mais de US $ 23 bilhões na dívida externa da Venezuela , tornando-se o maior credor do país. Através destes créditos e empréstimos, Pequim é o principal benfeitor e principal banqueiro da nação sul-americana, e a China tem enorme influência sobre os resultados na Venezuela.
As empresas de energia chinesas também estão ganhando uma quota crescente no campo de petróleo mais lucrativo da Venezuela, a Faja Del Orinoco (FDO). Com uma concessão de terras de 25 anos para o FDO , a China tem garantido acesso ao território estratégico na Venezuela; e em troca, a China usou o seu talão de cheques para financiar muitos dos programas sociais da República Bolivariana, como habitação subsidiada e clínicas médicas gratuitas.
O apoio externo da China,da Rússia e de Cuba contribuiu significativamente para sustentar o governo venezuelano na última década. Tanto a Rússia como a China continuam a alavancar o seu apoio financeiro, militar e energético ao regime de Maduro através da robusta rede de contra-espionagem e inteligência humana de Cuba , que permeiam os mais altos níveis políticos e militares da Venezuela. Cuba é indispensável para a China e a Rússia pelo seu conhecimento operacional dos equipamentos fornecidos pela Rússia, juntamente com os seus laços de longa data com as redes comunistas clandestinas.
Neste contexto, é difícil imaginar um cenário que remova a presença de Havana da Venezuela sem primeiro passar por Moscou ou Pequim. O Irã, por outro lado, pode operar de forma independente na Venezuela porque ele trabalha em uma rede clandestina separada e mais robusta que vem se desenvolvendo na América Latina há mais de meio século.
Aproximadamente 60% da população da cidade de As-Suwayda no sudoeste da Síria (pop. 139,000, de acordo com o censo de 2004) são cidadãos venezuelanos (têm dupla cidadania). Mais muitos chegaram desde 2009. O distrito de As-Suwayda (mesmo nome da cidade) foi apelidado de ” Pequena Venezuela “. As estimativas indicam que mais de 300 mil sírios da região de As-Suwayda vivem atualmente na Venezuela .De acordo com o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, mais de um milhão de sírios residem ali. Esta conexão Síria-Venezuela poderia representar uma rede clandestina administrada pelo Irã e crítica para o avanço da “revolução bolivariana” de Chávez.
Como no conflito da Síria, o principal papel do Irã \né preparar o campo de batalha venezuelano através de uma série de operações em guerra irregular, usando atores e substitutos não estatais para ganhar influência sobre a população. A sua influência muitas vezes não é visível no terreno, mas é sentida através da repressão dos manifestantes anti-regime em 2017 e anteriores. Durante as manifestações anti-Maduro, os membros das milícias civis venezuelanas conhecidas como Collectivos foram notáveis por serem modelados e treinados pela milícia Basij paramilitar iraniana . O papel do Basij em esmagar a Revolução Verde do Irã em 2009 proporcionou lição para lidar com manifestantes anti-regime meia década depois na Venezuela.
A extensão da influência do Irã na Venezuela tem sido uma fonte de debate para os analistas de segurança dos EUA e dos paises regionais. As raízes do regime iraniano, como um movimento revolucionário com uma retórica anti-imperialista e a expansão do domínio em todo o Oriente Médio, trouxeram a Rússia e a China,dois adversários históricos da guerra fria, para perto . Em muitos aspectos , o Irã se posicionou na Venezuela para capitalizar a influência econômica da China e a pegada militar da Rússia. Por exemplo, o Ministério da Defesa do Irã e a Logística das Forças Armadas (MODAFL) usaram uma variedade de projetos conjuntos com a indústria militar da Venezuela (CAVIM), bem como contratos de petróleo russos e chineses com a PDVSA para escapar de sanções internacionais [contra o irã (1) ].
A vantagem comparativa do Irã, no entanto, está no desenvolvimento de estruturas clandestinas através de forças substitutas e redes de proxy [‘procurador’, ‘representante’]. Seu braço mais proeminente, o Hezbollah libanês, é conhecido por realizar ações globais em nome do Irã. . Enquanto isso, a Força Qods (o braço extra-territorial da Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana Corps-Egri) trabalha com o Hezbollah para aumentar a pressão social nesses hotspots para exacerbar os conflitos. A cooperação Hezbollah e IRGC-QF é um componente importante da guerra civil síria.
Na Venezuela, redes clandestinas de longa data da Síria, do Líbano e do Oriente Médio estão desempenhando um papel semelhante nos bastidores na formação da narrativa e, em última instância, direcionando as ações dos principais atores intervencionistas do país. Essas redes forneceram ao regime venezuelano o know-how sistematicamente para controlar a população e dominar a narrativa. Sua ascensão à proeminência pode ser vista não só na abundância de árabes no governo venezuelano, mas também na forma como a crise venezuelana se desenrolou, seguindo o mesmo padrão de queixas econômicas e sociais para revoltas violentas com apoio externo.
A crise humanitária na Venezuela começou com uma grave escassez de alimentos e remédios,provocando queixas legítimas entre a população, o que levou a uma revolta no ano passado. Muitos esquecem que, antes da guerra civil, a Síria enfrentou uma seca severa que foi um fator em outras rebeliões violentas que começaram em 2011. Como na Síria, a Venezuela tornou-se uma crise humanitária que exacerba as saídas de refugiados com sérias preocupações antiterroristas e uma forte presença russa e iraniana . Ao contrário da Síria, no entanto, esta crise repousa muito mais perto das costas dos EUA.
Fortes evidências sugerem que a Venezuela usou a sua agência de imigração para fornecer identidades e documentos venezuelanos para várias centenas, senão milhares, de Oriente Médio.Sem medidas adequadas de controle e verificação , e um elevado grau de apoio à contra-espionagem ,os nossos aliados regionais não saberão se os refugiados venezuelanos espalhados pelas fronteiras são refugiados legítimos ou membros de uma rede clandestina transregional entre a América Latina e o Oriente Médio.
Como o Secretário Tillerson exorta os aliados regionais a aumentar o apoio para resolver a crise humanitária da Venezuela e aplicar mais pressão ao regime de Maduro, faria sentido que a administração Trump também ajudasse os aliados dos EUA aumentando suas capacidades de contra-inteligência e contraterrorismo contra o Irã e o Hezbollah no Hemisfério Ocidental. Parece que parte dessa cooperação já está começando a ocorrer, como evidenciado por um novo acordo entre os EUA e a Argentina para enfrentar o financiamento ilícito do Hezbollah no Cone Sul.
Lidar com a tragédia que ocorreu na Venezuela há mais de duas décadas exigirá uma melhor compreensão pública do papel central dos atores extra-regionais, particularmente o Irã, na crise do país.
Qualquer intervenção na Venezuela – militar, humanitária ou de outra forma – não funcionará a menos que vise eliminar as influências externas, especialmente o Irã, a Rússia e a China, que transformaram a Venezuela na Síria do Hemisfério Ocidental.
1) Numerosos governos e entidades multinacionais impõem sanções contra o Irã.[1] Após a Revolução Iraniana de 1979, os Estados Unidos impuseram sanções contra o Irã e ampliaram-as em 1995, para incluir as empresas que negociam com o regime iraniano. [2] Em 2006, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 1696[3] e impôs sanções depois que o Irã se recusou a suspender seu programa de enriquecimento de urânio. As sanções dos Estados Unidos inicialmente visavam aos investimentos em petróleo, gás e petroquímica, as exportações de produtos petrolíferos refinados e os negócios com o Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica. Essa medida engloba as transações bancárias e de seguros (incluindo com o Banco Central do Irã), transporte marítimo, serviços de webhosting para empreendimentos comerciais e serviços de domain name registry. (wikipédia)

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